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Não sou de ninguém

No ano passado, após mais uma desilusão de amor, comentei com uma amiga, no meio de choros e desespero, que tinha nascido para Amar e que o destino insiste em colocar no meu caminho quem não me merece e abusa de toda a fidelidade que lhe dou.

Não só isso, como a cegueira que me impede de ver os sinais óbvios da outra pessoa, que tão facilmente detecto em toda a gente, leva-me completamente a iludir quando me apaixono. Sou literalmente uma palerma.

Porcaria de carência que me atrofia o sensor e faz com entregue o meu coração a quem não devo e quem facilmente me engana.

Felizmente estou mais calma. Há pouco tempo cheguei mesmo a constatar que me choro pelos cantos por estar sozinha, mas que na realidade, la no fundo dos fundos, não quero ou não consigo ter ninguém. Não me consigo imaginar a partilhar o meu tempo com outra pessoa, a abdicar do que gosto, do meu ritmo para estar com ela. Também não me parece que alguém queira estar comigo aos bocados ou nos intervalos dos meus afazeres?! Não seria justo e não vou dar isso a ninguém.

Tenho muito medo da entrega, e não pelo o medo que me voltem a trair, só o faz quem é fraco e fracos não me atraem (por isso resolve-se o assunto em 3 tempos, ponta pé no rabo e vida para a frente), mas porque o mesmo “Amor” pelo qual estou destinada a ter é o “Amor” que me mata.

Sou literalmente a mulher que quando se apaixona entrega-se de corpo e alma com a vontade que seja para sempre. Não sou parva nem morro para o mundo. Mas adoro mimar, adoro dar, adoro agradar, adoro fazer a outra pessoa feliz e que se sinta o mais especial possível comigo. Por isso, sou facilmente a mulher que muda, que abdica, que esquece, que não vê.

Estando há 3 anos sozinha, com alguns casos pelo caminho, olho para trás e não me reconheço nas namoradas que fui, nas entregas que dei, no tempo que partilhei. Vivi a vida e o amor dos outros, fui a escolhida, a fiel, a levada, a parva, a mudada, a farta e a infeliz.

Quero ter alguém, que me complete, que me admire, que me eleve, que me dê brilho, para além de tudo o que é suposto um amor dar. Não posso ter alguém que me volte a reduzir, a atrofiar, a baixar, a maltratar, a vingar-se, a fazer-me chorar e ter medo de ser eu mesma e de ser feliz. A pessoas assim não dou 1 minuto que seja do meu tempo, prefiro esperar sozinha, à minha maneira, como dizia a música, com as minhas coisas, com as minhas loucuras, desvaneios, alegrias, monentos e partilha-las apenas com quem merece.

Para além dos fundos dos fundos, tenho medo de ficar sozinha, mas tenho ainda mais medo de não ser FELIZ!!

Beijinhos

 

Sofia