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Home Alone

Dizem que o silencio é de ouro e que numa relação perfeita o casal sabe partilha-lho como se um segredo se tratasse.

Mas nem sempre o silencio é perfeito ou dourado. Atrás de muitas portas e sorrisos bate uma solidão que é ignorada por muitos. Ignorada de forma explicita, porque é melhor não saber do que ter que lidar com ela. Mesmo os grandes amigos têm a tendência de se afastarem nas alturas mais tristes ao contrário do que seria de se esperar, deixam as mentes mais negras pensarem o pior e atrofiarem num sofá moldado e sem expressão.

Devido a esta carência de afecto, de companhia nas alturas mais precisas, muitas pessoas vivem com 2 caras, a do social em que o sorriso e a boa disposição é uma constante e a “Home Alone”, em que as expressões e sentimentos, longe de todos os olhares são estáticos e pesados. São nesses momentos que o ar parece irrespirável, a ausência de contacto é dolorosa e a única companhia são sempre os pensamentos impróprios e obscuros de quem se sente amargamente só.

Lembro-me de uma fase chata que tive, muito piegas, insegura em que as minhas amigas da altura chamaram-me chata e disseram que não tinham paciência para os meus dramas. Escusado será dizer que afastei-me delas e só voltei quando me sentia mais preparada para estar em grupo. Foi cruel o que me disseram e na realidade o que queria quando me afastei é que viessem a correr atrás de mim, mas claro que isso não aconteceu. Eu também era infantil e mimada e estava a tornar-me um peso nas suas boas disposições, acabei por crescer e de fora ver o que realmente se passava. Hoje somos grandes amigas e deixei de cobrar tudo e entendi que há momentos e que temos que dar espaço para ter amor e carinho.

E o engraçado, mesmo não tendo piada nenhuma é que os grandes comediantes costumam ser os mais depressivos de todos. Talvez por isso é que não gosto de palhaços, porque existe uma falsa felicidade, alias se calhar por isso é que se chamam de palhaços…rimo-nos com as tristezas e trapalhices dele porque são uns palhaços. Depois do espetáculo a maquilhagem sai e por baixo de um sorriso vermelho está um rosto sozinho que mesmo rodeado de milhares de pessoas felizes continua sempre a sentir-se só.

Não sejam indiferentes a este tipo de pessoas, tentem entender qual a duração da felicidade e do sorriso, se é algo que apenas acontece quando estão a olhar para ele ou se se mantem quando está só. E para quem está nesta situação e se ninguém vier ter convosco sejam vocês a procurarem a vossa felicidade. Saiam, reinventem-se, arranjem novas companhias e amigos, coisas para fazer, sintam-se ocupados, desejados. Procurem ajuda e principalmente assumam o que sentem, parem de fingir para os outros e para vocês mesmos.

Beijinhos

Sofia