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Eu e os Meus 43 Anos

Xii tantos anos, que para aqui vão. Cheguei aos 43 com a mentalidade de uma jovem inconsciente, o corpo de alguém muito estragado, o feitio de uma solteirona lol e a maturidade de uma mulher madura cheia de classe e que só grita quando é mesmo necessário (como quase sempre).

Mas estou feliz de estar aqui e ter chegado a um ponto em que finalmente me sinto em paz comigo. Ainda existem alguns ajustes a fazer no meu carácter, mas a cambalhota que dei era necessária e não podia estar mais orgulhosa.

A viagem começou quando há uns 2 anos e uns bons meses, desliguei o telefone a chorar por estar a falar com um idiota que não merecia nenhuma das minhas lágrimas. Tinha passado 7 meses a tentar ganhar o amor dele, o respeito e o carinho. A única coisa que consegui ter era uma espécie de desprezo fofinho (coisa que ninguém merece, a não ser os que se colocam a jeito…como eu).

Desliguei o telefone com imensa raiva e disse para mim “nunca mais ninguém me vai fazer mal” “Vou tirar tudo o que é tóxico da minha vida”. E isso incluía, tabaco, coca-cola em excesso, pessoas e homens…etc

Vi-me sem chão, sem saber o que fazer e para onde ir, mas muito convicta das minhas decisões. Esperava sei lá, que uma placa se atravessasse no meu caminho com as soluções de vida, ou com alguma dica que fosse, uma previsão do futuro, uma luz.

Lá ia me virando como uma barata tonta (ia para todo o lado mas não chegava a lado algum)

Sentada numa palestra, sem saber para o que ia, começou a falar um Monge Budista. As suas palavras entravam em mim como balas, furando todos os meus sentidos e mantendo-me mais acordada como nunca.

Amor Incondicional e universal,

Ama-te a ti para poderes amar o próximo.

Ilumina-te com conhecimento

Dá sem esperar nada

Confia no coração.

Era isto!!!! Era tão isto. Fui ao templo e adorei andar descalça, já me tinha esquecido o que era sentir a terra, não ter que me preocupar com quem era e com o que tinha que ser. Meditei pela primeira vez e adorei, mesmo sem ter fechado completamente os olhos e não tenha deixado de pensar nas milhares de perguntas que tinha a fazer sobre o Budismo entre outras coisas, eu estava ali numa missão: “Encontrar a Verdadeira Sofia”.

Mas calma que ainda estamos no inicio…a partir de aqui foi duro e tive momentos horríveis de dor e solidão. de comer como se não houvesse amanhã, de olhar para o meu corpo e não me reconhecer, de sorrir com os lábios e nunca com o olhar, de chorar muito, de querer um fim, de me odiar, de odiar os outros, de querer uma resposta e não ter “MAS AFINAL QUEM SOU EU?”

Mas também tive momentos bons em que me ia descobrindo aos pouquinhos e fui andando devagarinho e 1 ano depois estava a fazer a minha 1ª viagem sozinha e a amar todos os segundos e quis fazer a 2ª e a 3ª e neste momento não hesito em agarrar o carro, colocar os cães lá dentro e ir para onde for.

Decidi não estar disponível para toda a gente e cortei com imensas pessoas. Não sou serviço público e que me perdoem os mais sensíveis mas tenho mais que fazer. Adoro e respeito o carinho, mas há tanto mais no mundo a fazer do que passar a vida num chat com gajos que não sabem o que querem da vida ou que não têm mais nada para fazer.

O voluntariado entrou na minha vida e ficou “Amor Universal”: Ama os outros e não esperes um agradecimento.

Doi ver a realidade mas doí mais sentir que ninguém faz nada. A ajuda na AMIAMA tem-me feito melhor a mim do que a todos os cães que por lá passaram e estão. Porque é o meu abrigo também. Relembra-me todas as vezes em que fui abandonada, castigada por ser demasiado fiel, ajudada por pena e solta mesmo sem saber para o que ia, ansiosa, com medo mas cheia de vontade “é desta que é que é de vez”! Mas nunca foi e volto sempre a sentir-me só.

Estar lá ajuda-me a conhecer-me melhor, a entender os outros, a ser menos reactiva e mais compreensiva. Tenho aprendido valiosas lições com os animais, como eles estão preparados para perdoar quem lhes fez mal, ou dar uma nova oportunidade para serem amados e felizes.

A meio deste ano ainda sem saber o que fazer da minha vida e a colocar em causa tudo e principalmente as minhas capacidades, fiz um curso de Coach, para ser coach, mas pensei usar aquilo para mim e contra mim LOL. Fui a cobaia de todos e deixei dissecarem-me dos pés à cabeça, chorei que me fartei, mas foi bom, muito bom. Acabei uns meses depois limpa, revigorada e com uma palavra no destino: PERMITE-TE! a Amar, a Sonhar, a Realizar, a Alcançar, a Seres quem és e quem queres ser, a ser Feliz e a Gostar de ti!!!

Comecei a fazer consultas de coach e funcionava!! Eu ajudava os outros a encontrarem um caminho, a passarem a ter uma certeza “eu preciso gostar de mim e cuidar de mim””eu sou a prioridade na minha vida e só assim posso ajudar os outros”.

E estou agora aqui, com o cabelo pelos ombros, com os saltos mais baixos, com os meus defeitos e feitios mas com a certeza de que gosto de mim e quero gostar sempre. Estou mais contida em tudo e principalmente no que partilho. Deixei de usar a carta de blogger e passei a sentir-me novamente uma pessoa que adora partilhar e ensinar os outros. Continuo a sofrer e a ter dúvidas porque isso faz parte da condição do ser humano. Mas não sofro mais por antecipação, deixei de fazer filmes e adoro a sinceridade e não suporto que me façam perder tempo. Quando alguem afasta-se de mim deixo ir e não me arrendo de nada a não ser de algumas coisas do passado porque olho para trás e pergunto-me “Quem foi aquela pessoa? porquê tomou aquelas decisões e porque gostava tão pouco de si mesma?!”

Afinal de contas, não eram os outros que me faziam mal, era eu que me fazia mal em permitir que me magoassem. Não nasci para sofrer, nasci com uma missão de sorrir e fazer sorrir, de ajudar os outros pelos meus erros e de transformar vidas tristes em alegrias constantes.

Hoje é o meu primeiro dia com 43 anos e com orgulho digo “Gosto de Mim”

Beijinhos e muito obrigada pelas vossas mensagens carinho e por favor sejam mais felizes e mais humanos.

Sofia