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Ainda não era 1 da tarde….

Hoje acordei tarde e a más horas. Sabem quando o corpo e a mente não correspondem aos contratos profissionais e aos compromissos matinais? Estava assim.

Demorei muito até conseguir atingir um ritmo e uma mente suficiente activa para aquecer a água e colocar o pacotinho de chá verde. Isto só para vocês entenderem a gravidade do meu estado.

Apesar da minha apatia e ausência de reflexos e forças, a manhã estava a correr bem e a bom ritmo. Consegui maquilhar-me, secar o cabelo e fazer uma combinação digna para o look do dia.

Quando estou a sair de casa, completamente esbaforida por estar atrasada, como se fosse uma mosca antes de morrer depois de levar com o spray, já na escadas a apanhar o elevador olho para os pés e noto que tenho um botim de cada nação. Experimentei para ver qual ficava melhor e simplesmente esqueci-me de os trocar. Um era fechado e outro versão peep toe. A vantagem é que ambos eram pretos e dourados e talvez por ai conseguisse explicar socialmente a minha decisão “sim, sai com sapatos diferentes, foi uma decisão consciente, estou tentar novas tendências sem perder a noção do pendant!”.

Voltei para trás com um riso nervoso só de imaginar chegar assim ao escritório, ou andar assim na rua. Com os nervos de trocar de sapatos, rasguei as meias em 2 sítios, um no calcanhar com o salto o outro quando me baixei…deixo-vos imaginar.

(nestes momentos devia haver câmaras a filmar a cara dos meus animais a olharem para mim. Dá até para imaginar o que estão a pensar “esta mulher é louca!”, “outra vez atrasados!”, “devia acordar com vontade de ir à rua que se despachava mais depressa!”, alguém lhe dê um osso para acalmar s.f.f.!”).

Com sapatos iguais cheguei finalmente ao escritório e liguei o meu computador que só vive ligado ao cabo, sentei-me calmamente na minha secretária e esperei que o meu outlook abrisse à primeira….. Até que uma voz vinda de outro gabinete pergunta às 11h20 “A Sofia não tinha uma reunião agora as 11h30?!”. Acho que nunca me levantei e sai tão depressa do escritório. A minha agenda estava noutro dia – Fevereiro e achei que não tinha nada hoje.

Em loucura total mas em velocidade cruzeiro (sempre mantendo a calma na condução) tentei chegar o mais depressa possível à Expo, enquanto dava explicações ao Cliente do meu atraso por telefone mãos livres).

Consegui estacionar tranquilo, tinha moedas para o parquímetro. Escorrei a colocar o talão no carro, mas felizmente ninguém viu e fui a correr pela calçada Portuguesa de saltos até à porta correcta. Aproximo-me do segurança e o mesmo pede-me a identificação. Mala de mulher já se sabe…toca a remexer e remexer e encontrar nada. Abriu-se a bolsinha de maquilhagem e entornou-se tudo lá dentro…o caos está instalado. Tenho 2 pessoas paradas a olharem para mim e eu a tentar pescar um documento numa mala cheia de batons, blush, máscaras, etc. Nada não encontro nada, nem um documento de identificação, nem um cartão multibanco nem dinheiro. Lá me deixaram subir…confiaram em mim. Nenhum terrorista seria tão nabo e desorganizado, dava até pena.

Finalmente toco à campainha do cliente que se tornou música para os meus ouvidos…porque finalmente tinha chegado ao destino. Quando entro na sala de reuniões cheia de pedidos de desculpas, noto que a pega da minha mala de trabalho está na vertical. Ficámos os dois a olhar para aquilo, porque esteticamente não fazia sentido. Ainda nos rimos e eu comecei a resumir a manhã, etc

Felizmente a reunião correu muito bem e consegui manter o foco e atenção dele até ao final. E o feed-back foi excelente.

Desci esganada de fome (porque era 12h30 ainda não tinha comido nada). Tive que ligar à Dinora Bastos, a minha nutricionista a desmarcar a minha consulta porque nem dinheiro tinha para o parquímetro lol, enquanto comia um rissol de camarão pago com as únicas e restantes moedas que tinha (1€15). Shame on Me e ganhei o direito a fazer mais 50 flexões.

Voltei para o escritório e até à data não ocorreram mais acidentes ou incidentes, mas também decidi não me levantar mais da secretária.

O meu Outlook à 3ª abriu e o meu computador continua ligado à corrente pois é a única forma de o manter vivo e a respirar. Caso para dizer “Não desliguem a máquina!”.

Beijinhos

Sofia