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Mulheres e Casas de Banhos Públicas

Há uma coisa que me incomoda e que hoje decidi partilhar convosco porque tenha a certeza que a maior parte vai sentir o mesmo desconforto que eu e a outra parte que comece a ter respeito pelas outras pessoas.

O tema de hoje é Casas de Banhos Públicas. Como o nome indica “pública” significa que qualquer pessoa pode usar. Dito assim a coisa até parece um bocadinho nojenta e infelizmente é. Na realidade todos gostamos de fazer as nossas necessidades em casa, mas infelizmente quando a vontade aperta temos que ir onde for. Quando dá tempo, podemos dar-nos ao luxo de escolher o café com melhor aspecto, uma loja, etc, mas quando não dá, vai mesmo em qualquer lado.

Eu não sei porquê raio as mulheres, que até são vistas como tão asseadas, arrumadas, organizadas e cheirosas gostam de provar o contrário nas ditas CBP *. Aquilo parece o arraial depois de dias e semanas de bailarico ou o pior dos festivais de Verão. Seja onde for, não é necessário ir a uma espelunca para o caos estar pelo chão, paredes, retrete e afins. É tudo espalhado, ninguém sabe usar um autoclismo e chega a dar medo de apanhar uma doença estranha já para nem falar no nojo visual.

Ainda perguntam porquê as mulheres vão aos pares para a casa de banho. Ora enquanto uma prende a porta e fica com os casacos e as malas para nada tocar no chão, nas paredes nem no tecto a outra tenta equilibrar-se levantando a roupa, afastando as cuecas e as pernas de qualquer objecto físico da casa de banho. A única coisa em que podemos tocar é na amiga que é o nosso pilar e na pontinha do papel higiénico, isto se ele existir.

Enquanto os homens romantizam sobre as nossas idas juntas às CBP e imaginam toda uma galhofa de fofocas, e trocas de piadinhas sobre eles, partilha de lingerie, etc, as 2 tentam sobreviver à experiência como equilibrista num circo em pequim e sem aplausos pelo meio. A recompensa é apenas a de acertar o mais possível com o xixi no sitio certo.

Ahhh e por falar em errar o alvo….sujou = limpou. Enrola uma boa quantidade de papel à volta da mão e passa na tampa da retrete para não deixar recuerdos para a menina que se segue, porque ela não tem que levar com isso até porque nem te conhece. Depois lava muito bem as mãozinhas e podes ir à tua vidinha.

E já agora para as mais esquecidas a maior parte das casas de banho não têm trinco, pois deve ter sido destruído pela última vandala que abriu a porta ao pontapé. Bater é tão bonito e não magoa a mãozinha nem parte a uninha. Basta umas pancadinhas na porta …noc noc noc e tentar ouvir do outro lado “Está ocupado” ou “Está Gente”(nunca entendi esta última expressão….e se estivesse um animal, um robot ou um zombie a pessoa entrava ou ficava à espera que ele saia?) e só depois abre a porta e entra ou espera a sua vez. Também há outro truque que é bom que é olhar para baixo e ver se há sombra dos pés, aproveitam e alongam um bocado as costas e já vão aquecidas para a ginástica do WC. É só para não correr o risco de apanhar alguém do outro lado em posições desconfortáveis ou bater-lhe com a porta na cabeça ou na cara. Temos que ser umas “pás outras”, combinado?

Bem meninas acho que consegui cobrir todas os pontos e dar o meu contributo social Às Casas de Banhos Públicas.

Quanto aos donos dos estabelecimentos, nós, os Públicos também conhecidos como Clientes, agradecemos que as privadas sejam limpas e bem limpas as vezes necessárias pela lei, que os caixotes sejam esvaziados para não ficarem a deitar por fora e o papel de higiénico reposto várias vezes ao dia. Eu sei que é uma tarefa dura, mas tem que ser.

Um beijinho a todas as mulheres que passam por estes pesadelos de ir a uma casa de banho pública e um abraço apertado para aquelas que tiveram a triste ideia de sair de casa de jumpsuit

Sofia