icon-arrowicon-facebookicon-googleplusicon-instagramicon-pinteresticon-playicon-searchicon-twittericon-youtube

Um Donativo Inesperado

Após levantar dinheiro no Pingo Doce, um casal de idosos em cadeiras de rodas com algum tipo de paralisia cerebral, fizeram-me sinal. Com ruídos apontaram para um saco de plástico e com muita dificuldade entendi que por 0,50€ levava um calendário.

Dei todas as moedas que tinha, coloquei-as na bolsinha de cintura do Senhor, tirei o calendário e após muitos agradecimentos de ambos, segui o meu caminho.

Fui fazer o pagamento que devia e sobrou-me 5€. Fiquei a olhar para a nota na minha mão e voltei para trás. Aproximei-me dos senhores, coloquei a nota na bolsa e disse “é um presente meu”. Ambos, entre ruídos e gestos desconcertados agradeceram-me muito. Apeteceu-me chorar, por mim, por eles, por todas as pessoas que não têm a mesma sorte que eu de se poderem levantar e caminhar, dançar ao som de qualquer ritmo e som. De conseguir falar e de cantar. De pensar e tomar deciões. De rir e de chorar por coisas parvas e supérfluas.

Tantas pessoas que não controlam o seu destino, porque o destino limitou-lhes a vida. São felizes à sua maneira, mas sempre dentro de inúmeras limitações. Os senhores eram um casal, provavelmente feliz, mas que iriam sempre precisar de uma 3ª pessoa para os alimentar, para os deitar, para os vestir. Um amor que apesar de grande, nunca seria livre como o nosso, em que podemos brindar, brincar, seduzir, discutir, bater portas e reconciliar como se não houvesse amanhã.

Confesso que não sou pessoa de andar constantemente a fazer donativos e transferências, porque prefiro mil vezes, nestes momentos, de cara a cara, olho no olho ajudar quem precisa. Quantas vezes me pediram dinheiro para comer e entrei num restaurante e disse, escolha o que quiser, eu pago. Quantos animais tirei da rua, arranjei novos donos, dei de comer, ajudei a dar carinho e amor.

São pequenos gestos que aconchegam quem não tem nada e já não tem esperança, nem ninguém. Sou uma privilegiada que agradeço, sempre, todos os dias tudo o que tenho. O conforto, a família, a saúde, os amigos, a casa, a minha força, a minha mente, a minha vontade, o sol, a luz, a energia, a esperança, o sonho, a ambição, etc

O que eu fiz foi uma gota perto de milhares de pessoas que diariamente são voluntárias para ajudar, idosos, pessoas, crianças, desalojados, animais, etc,

Deixo aqui o meu agradecimento por existirem, por serem como são, sem pedirem nada em troca. O sorriso que recebem, as lágrimas de agradecimento serão sempre melhores que qualquer pagamento ao final do mês. OBRIGADA

Há pessoas que nasceram para fazer o bem!! São os nosso Anjos na Terra

Beijinhos

Sofia