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O Rio que me acompanha…

Hoje fui correr ao lado do Rio Tejo. É uma zona optima perfeita, plana, segura, cheia de pessoas a correr de um lado para o outro e com uma vista maravilhosa do Rio, da Ponte, do Cristo Rei. É um loca de eleição.

Quando regressava ao carro comecei a andar e tomei particular atenção ao Rio que ia ao meu lado. Parei e fiquei mais uma vez maravilhada a olhar para ele, estava cheio, agitado e um pouco sujo para meu gosto, mas não tem que estar perfeito todos os dias. Estava mais precisamente em frente ao BBC e de repente veio-me à cabeça que o Rio que me acalma e me conforta foi o mesmo que um dia quase me tirou a vida. Quando tive o meu 1º ataque de pânico, estava dentro do BBC e num ataque de claustrofobia sai a correr em direcção ao Rio. Em pânico porque sentia uma vontade enorme de me atirar liguei a uma amiga e grite “eu vou saltar!!!” “Eu quero saltar para o Rio, não sei o que se passa comigo”. Ela tentou acalmar-me e pediu para pedir ajuda à primeira pessoa que passasse por mim. Desgraçado do rapaz que apanhou o susto da sua vida quando me agarrei a ele a chorar a pedir “ajude-me que quero atirar-me ao Rio”. O homem nem sabia o que fazer e passei-lhe o telefone para falar com a minha amiga e eu fiquei descontrolada a chorar agarrada a ele. Os meus amigos vieram buscar-me e eu felizmente não me atirei e hoje estou aqui,

A olhar para o Rio a recordar essa historia pensei em tudo o que teria perdido se tivesse terminado com a minha vida. Ninguém diz que viver é fácil, mas tem que haver solução para quase tudo, já que para a morte não há. As coisas podem mudar quando menos se espera e mesmo que não seja uma questão de sorte lutar pela felicidade é o único caminho e a que todos temos direito.

Hoje sou uma pessoa feliz e que quer ser o mais feliz possível, tenho todo o direito a isso. Nestes últimos 10 anos desde que me quis despedir de um mundo que achava injusto cruel habitado por pessoas que conseguem destruir a autoestima dos outros sem qualquer peso na consciência,  cresci, amadureci, vivi intensamente, conheci pessoas fantásticas, visitei o mundo, sorri, ri, chorei e consegui provar a mim e a todos que conseguia ser o que sempre tive destinada a ser e que meu sucesso pessoal, emocional e profissional deve-se ao facto de nunca ter desistido de lutar de acreditar em mim, mesmo quando eu não tinha qualquer esperança.

Esta viagem não tem sido fácil, tive que esperar muito tempo para ser o que sou, conseguir o que tenho e principalmente acreditar e gostar de mim. Alias tive que entender que o tempo é um fiel aliado, depois o conhecimento que temos interior é fundamental para saber controlar o que gostamos, o que nos afecta, o que nos faz bem e evitar o que nos faz mal.

Conto-vos isto porque não quero que percam a esperança, saibam pedir ajuda. Procurem ajuda profissional nos casos mais graves (como foi o meu) e não pensem nisso como um gasto, mas sim num investimento em vocês mesmo. Eu faço psicoterapia há 10 anos semanalmente 🙂 e hoje consigo estar ao lado do Rio sem qualquer medo de ser engolida por ele a rever a minha historia sem me sentir afectada mas a sentir-me mais viva que nunca.

Beijinhos e bons passeios

Sofia

PS. Uma das coisas que iria perder é esta sorte de vos ter na minha vida