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O Ódio feito com Amor

“O ódio que alguns casais sentem pelo o outro é o que por muitas vezes alimenta o seu Amor!!”

Hoje assisti uma cena que há muito não via e que trouxeram-me as lágrimas aos olhos. Uma discussão de um casal que nem queria saber quem via e quem estava por perto. Mas não uma discussão normal entre 2 pessoas que se gostam, era já muito mais grave, em que todos os músculos, as acções e palavras estão descontroladas. É como se não existisse mais ninguém à volta deles. Como se o Alegro fosse todo deles para poderem trocar as ofensas, gritarem os palavrões, as ameaças, etc.

Gelei por dentro e as lágrimas vieram-me aos olhos. Não por eles, lamento muito terem chegado a esses estado mas na realidade não os conheço, mas por ter vivido tudo isso e muito mais. Por tantas vezes ter pedido a postura a elegância, o amor próprio a minha identidade. Por me terem deixado vezes sem conta num estado pronto a explodir sem qualquer controle sobre os meus actos e as veias do pescoço. Perder completamente o amor próprio, o respeito por mim, pela outra pessoa e por todas que acabam por “levar” com aquilo à nossa volta.

Infelizmente há relações que se transformam em torturas e em casos completamente vergonhosos. Basta haver uma das partes que seja ciumento, manipulador, descontrolado, violento, etc. A mais fraca acaba sempre por ir junto, sempre para baixo para o inferno.

Lembro-me da minha relação assim, foi num instante a minha transformação. Tinha 18 anos e passei de girissima e poderosa a andar sempre tapada e com medo. Passei de extrovertida a esconder-me de qualquer contacto que pudesse originar uma cena (não com os outros, mas a culpa era sempre minha). Passei de divertida e o centro da festa para apavorada, sem sentido de humor e sempre a chorar. Passei de adorar viver, para apática e revoltada. Passei de dominadora a dominada e vitima. Deixei de ter sonhos para passar a viver um pesadelo.

Tudo isto foi o inicio de algo que se veio a manifestar a muito mau. As minhas inseguranças, os meus medos, a minha falta de auto-estima começa tudo aos 18 anos graças a um namorado que todos achávamos que era a melhor pessoa à face da terra e que se veio a revelar a mais descontrolada, mais agressiva, mais horrível com que lidei. Os nossos amigos deixaram de me falar porque achavam que a culpa era minha, eu deixei de falar com toda a gente para não criar ciumes e evitar as discussões, as guerras os amuos, as ameças. deixei de querer estudar para estar sempre com ele a apoiar os seus medos e inseguranças.

Já lá vão tantos anos, mas ainda mexe comigo, ainda tenho vergonha das figuras que fiz, dos descontrolos em publico de chorar aos berros, de atirar com coisas de me atirar para o chão, estivesse onde estivesse.

Há aqui uma relação amor ódio alimentada pela manipulação das pessoas que são inseguras. 1º afastam-nos de toda a gente, para perdermos a força dos amigos e família, depois convencem-nos que não valemos nada, porque com o tempo vamos realmente perdendo tudo o de bom que temos e depois é paranóias atrás de paranoias e uma pessoa perfeitamente normal e saudável como eu era, transforma-se num bicho, num caco, num poço de inseguranças, medos, receios, amargura, tristezas, choros, lágrimas, etc

Felizmente esse tempo já vai e hoje orgulho-me de não ser nada assim e quando apanho um manipulador, pessoas que trocam o que dizemos, querem discutir do nada, fazem com a culpa seja toda nossa….ui pernas para que te quero é tempo de saltar fora. Não volto a estar com alguém que seja desequilibrado ao ponto de me levar junto para baixo

Porque nestas relações, o ódio que o casal sente um pelo outro é o que alimenta o seu amor. Discutir torna-se um vicio, uma rotina e dificilmente algum deles se conseguirá libertar dessa doença.

Força a todas as pessoas que estão em relações doentias, manipuladoras e que sejam força e que peçam ajuda para se conseguirem libertar delas, porque garanto que não melhora….só tem tendência a piorar.

Beijinhos enormes

e podem sempre contar comigo

Sofia