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Cresci

Nestes últimos 2 anos mudei muito como pessoa, a vida voltara a dar-me uma sapatada e depois de algumas voltas acabei por cair estatelada no chão. Depois de uns dias sentada imóvel a olhar para nada e a chorar, relembrei-me de todos os maus momentos que tinha passado há 10 anos atrás. Perguntei-me a mim mesma “É isso que tu queres? voltar a ser o que foste?”, “Queres estragar anos de luta e resistência?”. E aos poucos comecei a levantar-me, a sacudir a poeira, os restos de pena e de humilhação.

Vi-me sozinha, perdida, insegura, mas rodeada de amigos. Apareceram de todos os lados e de todos os meios. Uns mais próximos, outros conhecidos, outros especiais, outros que nem sabia quem eram. Foi incrível a onda de pessoas que vieram em meu auxilio com palavras amigas, com conselhos e que sem pedirem nada deram-me a mão. Parecia que estavam à espera que caísse para me ajudarem a levantar.

Desde então, passei a valorizar o improviso nos conhecimentos e nas amizades. Deixei de ter medo de dar o meu afecto, a minha amizade, o meu tempo, o meu espaço, o meu carinho e de partilhar o meu conhecimento. Deixei de ser menos mimada, impulsiva, rancorosa, caprichosa, explosiva, ressabiada, desconfiada, dramática e insegura. Apesar de nunca saber o que esperar dos outros porque rapidamente somos surpreendidos pela negativa, não vou viro as costas a ninguém, não vou deixar de dar uma nova oportunidade e a ultima coisa que quero é que o meu passado me afecte nas novas relações. Como estou diferente só podem ser melhores.

Acho que humildemente faço parte de um mundo que não existe interesse, maldade e sofrimento. Luto por isso com as minhas acções e palavras porque se eu consigo ser uma pessoa melhor porque os outros não hão de conseguir?!

E ao contrário de que algumas pessoas pensam, quando as ajudei de coração, ao abri-lhes a porta de minha casa e dei-lhes aquilo que nunca tinha dado, o meu espaço, a minha intimidade, o meu canto; nunca em tempo algum me passou pela cabeça cobrar um cêntimo, um segundo, uma letra do que tivemos. A tristeza que me sufoca hoje é de se saber que para essas pessoas eu sou passado. Que nos meus momentos de quebra a exigência que fiz foi de uma amiga que sente falta do retorno da companhia, dos momentos, das graças, das partilhas, por essas pessoas serem tão importantes para mim, nunca foi para compensar o que lhes dei. Sinto demasiado falta delas, mas sei que não as vou voltar a ter, porque elas não fizeram nada que fosse diferente.

Mas felizmente Deus comigo fecha-me uma “janela e abre-me a porta” e nas alturas em que pensamos que estamos sozinhos aparece sempre alguém inesperado que nos consegue surpreender e que hoje posso dizer com o maior orgulho que são dos meus melhores amigos e que me ensinam todos os dias a ser uma pessoa muito mais bonita e feliz.

E por ter esse privilegio quero ser a vossa “porta” aberta. Quero que sintam que podem ser muito melhores e que o dar não implica perda, mas sim ganho em todos os sentidos.

Obrigada à minha família, aos meus amigos, meus conhecidos, meus seguidores e até aos meus inimigos por terem ajudado a crescer. Aos meus animais também ao que estão comigo e aos que já se foram. Sou uma mulher no corpo de uma miúda, ou será uma miúda no corpo de uma mulher….posso ter crescido mas continuo baralhada lol.

Beijinhos

Sofia