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Ataque de Pânico ataca outra vez

Antes de começar a escrever sobre este assunto, quero agradecer a todos as mensagens, preocupações e partilhas de casos pessoais que fizeram no meu post de Sábado no facebook, quando disse que tinha voltado a ter um ataque de pânico.

Muito se escreveu e especulou sobre o assunto. Eu só escrevi quando estava no meu porto de abrigo – em casa e quando tiver a certeza que estava fora de perigo. Depois disso, nas vezes que sai de casa evitei ler os vossos comentários e mensagens, para não sentir novamente os sintomas. Desculpem, mas foi para minha protecção.

Para quem não sabe, falar sobre o assunto, pode ajudar a disputar novamente os sintomas. Para quem está acompanhar a pessoa que está a ter o ataque de pânico, por favor mantenha a calma e perguntem e que é necessário fazer, apenas isso e aguardem e estejam atentos. Muitas perguntas, muito stress, muita confusão, pode ajudar a agravar o estado e o piorar a situação.

Eu estava normal, feliz da vida no evento da Carlsberg na Marina de Cascais, em que tinha todas as condições para ter o ataque: Musica alta, um mar de pessoas, luzes, muito frio, mas não o tive.

Estava calmamente a jantar com a minha amiga Ana. Já nos tínhamos rido imenso e comecei a não conseguir engolir. Comecei a sentir a língua a inchar, a saliva a ficar mais espessa e a ficar cada vez mais nervosa. Não sou alérgica a nada de comer…se for é coisa muito recente. Comecei a entrar em pânico a ter que beber agua constantemente para diluir a saliva a falta de oxigénio do sangue me fez começar a ter vontade de trepar paredes e chamar o 112 (coisa que acho que ninguém deve deixar de o fazer).

Lá me fui acalmando…mas sabia que no segundo que deixasse a Ana em casa iria ser o caos, sozinha no carro.

Tentar manter a calma e nunca deixar de conversar connosco mesmo “está tudo bem”, ” vai tudo correr bem”. Telefone mesmo ao lado com o número de emergência e a garrafa de água para garantir que engolia…estava tudo a postos.

Quando entrei na AE…sem saída para trás, os sintomas dispararam e foi assustados e 1ª reacção foi parar o carro e começar a correr a pedir ajuda….tentei acalmar-me, sempre conversando comigo mesma. O ataque foi tão intenso que até abriu as vias respiratórias, como se tivesse finalmente chegado à superfície de uma piscina muito funda. Para os que nunca tiveram, é difícil entender como passamos de seres racionais para loucos, alucinados e descontrolados. Mas garanto que não é por gosto que os temos. É um descontrolo do cérebro, misturado com sintomas que acabam sempre por nos enganar. Os meus são de ataque de alergia, língua incha, glote fecha, etc.

Parei na bomba mais próxima e fiquei dentro do carro a acalmar-me e a programar o novo percurso. Tinha que sair da AE, o ataque seguinte poderia ser bem pior. Preferia dar uma volta maior mas ter a certeza que podia gritar e alguém ouvir-me, parar o carro em qualquer sitio ou procurar ajuda.

Novo percurso, era calmo, tinha casas, prédios, policia, bombeiros, etc….e com calma cheguei a casa!! O acalmar foi imediato.

Eu associo os meus ataques à inflamação da rinite. Nesse dia tinha apanhado imenso sol e o vento e frio e noite devem ter piorado o meu estado. Os sintomas de alergia, apenas são os meus receios dos ataques do passado…de há 10 anos.

Eu felizmente ando bem e nunca mais tive estes problemas. Os meus ataques começaram quando a minha depressão se agravou, há 12 anos e estavam associados a um ex de quem tinha muito medo. Alias passados 12 anos, não consigo se quer imaginar estar na presença dele e espero que nunca na vida me volte a procurar. Recentemente o facebook sugeriu-me como amigo…ia morrendo lol. Mas sou forte, isto há-de passar e em breve vou voltar à normalidade, porque é assim que tem que ser. Os meus fantasmas não podem controlar a minha vida

Peçam ajuda!!! Falem com profissionais sobre os vossos ataques. Encontrem técnicas para se acalmarem . Não tenham medo e não alimentem os ataques com medos e inseguranças, eles não vos podem vencer, são vocês que têm que dar cabo deles.

Protejam-se

Beijinhos enormes

Sofia

As fotos que tiramos antes do ataque