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Tornei-me no que mais Temia!

Quando era criança tinha 2 tias solteironas. Uma, atribuíamos ao facto de ter muito mau feitio e a outra de ser muito exigente. Olhava para elas com pena e pensava que triste que deve ser estar com esta idade sozinha e sem filhos. Coisas de crianças que tenho a certeza que vocês compreendem.

Os anos foram passando e aos meus 43 anos ainda não casei, nunca vivi com alguém e o meu namoro mais longo, 7 anos foi tudo menos o amor da minha vida. Tive um pai mais que um namorado. Foi uma relação que me deu coisas muito boas e no final deu-me a pior prova de todas…a infidelidade geral e absoluta de todos e quaisquer compromissos e valores.

Tive vários paixões, mas nunca vivi uma história de amor que não fosse inventada na minha cabeça. Não passam de recortes de várias comédias românticas que vim acumulando nos últimos anos.

Este ano, em Setembro irei fazer 7 anos que não tenho namorado e quase 2 que não tenho nem um mísero date ou um beijo.

Sim, sou exigente, picuinhas e é, e tem sido um grande impedimento para conhecer pessoas ou dar-me até ao luxo de aceitar um café com um estranho. Sinto que todos me mentem e enganam e que têm sempre algo a esconder sobre as suas intenções.

Se eu fosse a minha coach sentimental, diria-me: se não sentes confiança com essas pessoas é  porque muito provavelmente tens razão. A tua intuição alguma vez te deixou mal?

Fechei as portas de qualquer conhecimento vindo das redes sócias e várias vezes sou chamada de antipática porque não dou conversa, nem mostro o mínimo interesse. Realmente porque não estou interessada.

Na verdade fartei-me é isso é o que mais me assusta. Meti na cabeça que os homens não olham mais para mim e eu não tenho paciência para eles. Para as suas inseguranças, frustrações e infantilidades.

Da mesma forma como acho piada a rapazes novos, entendo perfeitamente que não achem piada a mim e que procurem as meninas bonitas e jeitosas.

E por muitos tarots que faça, mapas astrais, hipnoterapia, em que todas vêm o homem da minha vida a caminhar na minha direcção o raio do homem não tem maneira de chegar. Confesso que gostava mesmo de ter alguém que me acompanhasse nas minhas aventuras, que criássemos juntos a mesma história, que me entendesse, que me lesse nas minhas linhas tortas e me ajudasse a colocar as vírgulas nos sítios certos.

Quanto a filhos a esperança é sempre a última a morrer. Ja fiz os testes, só preciso colocar um dinheiro de parte e decidir o dia. Mesmo que nunca lhe possa dizer ou mostrar quem é o seu pai, posso sempre dizer eu serei a tua mãe para sempre. Longe de ser aquilo que tinha imaginado para mim, mas mais perto do que imagino.

Nos entretantos, vivo a vida como me apetece, não me deixo que esta falta me impeça de nada e de muito menos ser feliz. Até porque, até sozinhos podemos ser felizes, só precisamos é de nos amar, ligarmo-nos a família, aos amigos e ir em frente, aproveitar esta liberdade ao Máximo sem arrependimentos.

Agora entendo que na realidade as minhas tias solteironas tinham tudo, só não tinham um grande amor e filhos.

Beijinhos enormes

Sofia 🙂