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Quantos quilos tens?!

Na semana de Moda de NY que aconteceu na semana passada, a modelo P

lus Size,Ashley Graham mostrou pelo 2º ano consecutivo a sua linha de lingerie para mulheres com tamanhos a partir do 42.

Finalmente o efeito “Dove” começa a entrar pelo mundo da moda e da beleza e a ser aplaudido de pé. Numa época em que já devíamos todos termos menos preconceitos, continua a ideia ser sermos perfeitos em tudo.  No corpo, na mente, na beleza, na saúde no trabalho, nos relacionamentos, em tudo

Quanto mais se fala em aceitação, mais se julga, mais se condena e mais se critica. O ser Humano é bestial a destruir egos. Uma simples piada, constatação, ameaça, critica, apontar do dedo pode ser suficiente para alguém se sentir menos e diminuido.

Vejo por mim e pelo facto de ter engordado este ano e a forma como a mudança de peso tomou conta da minha auto-estima, força de vontade, beleza interior. O que muitos pode ter parecido exagero da minha parte e acredito que sim, até porque foram apenas 7 quilos. Mas foram 7 quilos criticados, comentados, como foi o caso do senhor da praia, que nunca antes tinha falado comigo e chamou-me para me dizer “este ano fomos menos ao ginásio!!”. Assim como todos os outros que perguntaram aos meus amigos “o que aconteceu à tua amiga para estar tão gorda este ano!”. Se fosse uma questão de aceitação ninguém queria saber e continuávamos todos a desfrutar da praia.

Mas a sociedade manda-nos ser forte, seguros, donos da nossa vida, e por outro lado prega-nos rasteiras quando questiona a quantidade de açúcar que ingerimos  e que não devemos usar determinadas roupas porque somos gordos ou magros demais, ou altos ou baixos, ou simplesmente porque aos olhos de muitos não somos ninguém.

Não é suposto em 2016 cada um saber de si?! Como podemos ser mais fortes havendo quem veja como defeito as nossas linhas e a nossa beleza natural?

Com o tempo vamos lá e não é fácil. É preciso desligar, deixar de ouvir e interiorizar “eu sou bonita”, posso não ser perfeita “mas não há nada de errado comigo”, as minhas “imperfeições são minha marca, a minha identidade o que me diferencia dos outros!”

Nasci e ao longo do tempo adquiri muita coisa que não gosto que me impossibilitou de seguir um caminho que eu adoraria. Não gosto de ter 1,55, Não gosto de ter mais 7 quilos, Não gosto de ter 14 dioptrias de miopia, Não gosto de ter o síndrome vertiginoso, Não gosto de ter as dores que tenho nos joelhos e não gosto de ter periodontite (doença nas gengivas). Mas gosto de tudo o resto e muito e não deixo de fazer nada na minha vida até o meu corpo me permitir, assim como a minha confiança e auto-estima.

Posso não ter desfilado nas passerelles da mundo, mas desfilo-me nas calçadas, nos centros comerciais, na praia e hoje orgulhosamente com os meus 7 quilos, que por ser baixa parecem muito mais. Posso não fazer mergulho por causa dos ouvidos, mas adoro nadar e mergulhar nas ondas. Posso não abrir os olhos debaixo de água por causa das lentes, mas vou de óculos de natação e vejo tudo ainda mais definido. E sim estou a aprender a aceitar o meu corpo como está porque na realidade ele não tem defeito a minha noção da realidade é que sim.

E se eu não gostar de mim como sou, como é possível que outra pessoa goste? Ou será que quero na minha vida alguém que só me veja pelas minhas curvas e não por tudo o resto que tenho? Mas que raio de amor seria esse em que o aspecto físico seria apenas o ponto de interesse.

Este texto é apenas uma reflexão sobre uma sociedade e um Mundo que continua a fingir que aceitaas nossas imperfeições e na realidade para além de condenar e descrimina até o faz em praça pública.

Sejam gordos ou sejam magros o importante é serem felizes e terem saúde.

Grande Ashley um dia quero ser como tu

Beijinhos

Sofia