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I’m To Fat for My Clothes

O tempo avança e nada muda. Continuo com o mesmo corpo, o mesmo peso há meses.

Confrontei-me com os ataques de bolachas, revelei dos meus novos vícios, mudei a alimentação, fiz sacrifícios, tentei fazer mais desporto e nada parece suficiente.

Sinto-me uma falsa magra, cuja roupa deixou de servir. As calças e os calções deixaram de passar pelas pernas, os vestidos tornaram-se demasiado curtos e reveladores, os decotes inspirados na Pamela Anderson e as curvas da Kim Kardashian.

Olho-me no espelho e não me reconheço, vejo fotos antigas e apetece-me chorar, ao ver a minha silhueta mais estreita, mais seca, menos popozuda.

Eu sei que pode parecer ridículo, mas estas graminhas que para o mundo parecem microscópicas, para uma mulher parecem toneladas, até me sinto mais pesada, mais desajeitada e menos sexy. Alias nem me apetece ser sexy, nem que me vejam ou olhem para mim. E pior que tudo é que me estou a tornar paranóica, depressiva, amargurada e só falo nisto. Encontro alguém que não me vê há imenso tempo “Olá, estás boa?” ” Sim óptima mas mais gorda!” Sai-me como se tivesse a dar os bons dias a quem passa por mim. Chega a ser ridículo eu sei, mas neste momento, acordo, vivo e durmo a pensar no meu peso, no facto deste ano não ir usar metade da roupa de verão, principalmente os calções que agora parecem roupinha da barbie. Mas alguma vez eu coube ali?! Omg.

Os meus amigos que já devem estar tão fartos de me ouvir, que disparam receitas, métodos infalíveis de dieta, jejuns absurdos, alternativas, etc, só para ver se emagreço para me calarem de vez. Ando a fazer tudo ao mesmo tempo e nada parece funcionar. Sinto-me tão obcecada com isto tudo, que cada vez me apetece menos treinar is à praia, dançar…e muito menos estar com um homem.

Passo os dias a rever na minha cabeça a minha consulta com o endócrinologista, quando tinha 12 anos que me obrigou a fazer uma dieta porque eu iria ficar uma “BALEIA”, palavras suas, juro. Eu e a minha mãe saímos da consulta a chorar, porque o meu destino estava dependente daquela grande, longa e sacrificante dieta.

Consegui e mantive-me sempre com um peso fantástico, entre o Xs e o S, agora sinto-me um M a caminhar confiante para um L…e apenas com um 1,55… vai ser bonito e com os 41 é perfeito para traçar o meu novo destino.

E se me vêm com a historia de que os homens gostam de chicha, que nem sei como isso se escreve, para agarrar, eu desminto, porque não tenho sentido nada disso, alias acho que nunca estive tão desinteressante em toda a minha vida. Obviamente o facto de ter deixado de sentir-me poderosa afecta e afasta-me de qualquer potencial interessado.

Pior que tudo é que vocês vão ler isto e achar que sou louca e que estou óptima e que pode até ser uma ofensa para algumas pessoas. Longe disso e das minhas intenções, mas não deixo de ter a cabeça de uma mulher a passar por uma transformação associada a mudança de vida (deixar de fumar) e com medo de perder o controle da situação. Tenho a certeza que várias pessoas estão a passar por esta agonia e sentem-se um bocadinho perdidas e descompensadas.

Mais que tudo este texto é um desabafo sincero de uma pessoa que já não se sente tão bem com o seu corpo e que está a passar uma fase emocional muito, mas muito complicada e que sabe que mais cedo ou mais tarde algo vai ter que mudar, ou o seu corpo e a sua cabeça e simplesmente aceitar.

O importante é realçar é que o mais importante de tudo é que a pessoa se sinta bem consigo mesma, seja com que peso for, com que estatura, com que mania, com que género, com que paranóia. Evitar chegar a este estado que eu própria alimentei por causa de medos de deixar de ser o que sou e transformar-me no animal que o meu médico tentou evitar que fosse. Neste momento estou a condicionar tudo em mim, até a minha beleza natural, o meu charme, a minha inteligência e até na forma como vocês vão olhar para mim depois de lerem este texto.

Beijinhos e Boa Semana, eu vou tentar esquecer este assunto e aceitar-me (porque já me passou pela cabeça, até voltar a fumar)

Sofia