icon-arrowicon-facebookicon-googleplusicon-instagramicon-pinteresticon-playicon-searchicon-twittericon-youtube

Devemos Ter Vergonha do Nosso Corpo?

Ontem uma senhora comentou uma foto minha de bikini com um comentário, digamos que menos simpático.

“Lamento, mas não está em boa forma…fica-lhe mal o bikini pois sobram as gorduras”, não feliz depois de eu ter respondido ao comentário, acrescentou “Não foi para ofender até porque tem fotos onde aparece bem elegante e é uma mulher bonita. Mas há coisas que ficam melhor guardadas para nós e por aqui lêem-se muitos comentários falsos que por vezes nos criam ilusões. Tudo de bom para si. Bjs” 

A ultima questão que lhe perguntei foi “mas devo ter vergonha do meu corpo?”

Eu sei que ela tem razão e que não estou em forma. Infelizmente eu sou a pior inimiga do meu corpo. Estou sempre a colocar-me defeitos e durante muito tempo custou-me a ver a mudança e as transformações de quem estava habituada a comer tudo e a pesar 47kg e agora estou sempre a pensar no que como e não saio dos 54. Mas tenho a impressão que quase todas as mulheres são assim, falta-nos sempre qualquer coisa ou temos coisas a mais?

Mas aprendi a aceitar-me a olhar para mim como sou. Se conseguir perder uns kilos melhor, se ficar mais tonificada fantástico, mas se mantiver-me assim não vai ser o drama. A beleza é tão mais do que isso certo?!

O mais irónico disto tudo é que vivemos numa era em que se fala tanto sobre aceitação, em gostarmos de nós, lutar contra os estereótipos e vivermos em paz com o nosso corpo desde que seja com saúde e ainda assim tropeçamos com pessoas que nos julgam pelas gordurinhas, ou pela magreza, pela altura, pela cara, pelo cabelo e sabe-se lá mais o quê.

O mais importante de tudo é as pessoas estarem felizes e serem felizes como são 🙂

Vivemos ainda numa sociedade em que as mulheres precisam de ter um corpo fantástico para partilhar fotos de bikini?! e quem decide o quem é bonito ou quem é feio?

As Redes Sociais ajudam a criar falsas aparências sobre as pessoas, a vicia-las em beleza feita de filtros, apps, plásticas e botox. Pessoas que vivem das falsas realidades e passam a imagem da perfeição. Eu própria já me senti com necessidade de procurar ajuda e uma forma de não parecer tão velha ou de emagrecer à força e de forma fácil. O medo de se perder o brilho, os likes e chegar à triste conclusão que as pessoas só gostam de nós por aquilo que parecemos e não pelo que somos e representamos no Mundo é um bocadinho assustador.

Mas decidi mais uma vez percorrer o caminho mais longo que é o caminho de gostar de mim, com os meus kilitos a mais, as minhas rugas, pregas e aceitar que tenho 42 anos e que por muito bem que esteja e de longe até poder passar por uma miúda mais nova (muito longe :D), a evolução natural do ser humano é envelhecer. E por muito bem e lindas e esticadas e com as bocas carnudas e apetecíveis que as miúdas de hoje em dia estejam não se sabe bem ao certo como elas vão estar daqui a uns anos.

Isto também não quer dizer que não venha mais tarde a fazer qualquer coisa para disfarçar ou rejuvenescer, mas o meu receio, maior do que ficar muito diferente do que sou, é ficar viciada em estar perfeita, coisa que nunca vai acontecer.

O que recomendo neste artigo são 3 coisas:

aceitem-se como são e gostem de vocês mesmos. Não têm de ter vergonha de nada no vosso corpo a não ser que   seja prejudicial para a vossa saúde ou se vos estiver a destruir a vossa auto-estima. Tentem concertar mas da forma correcta que e sempre a que dá mais trabalho mas é que terá sempre melhores resultados

  A tendência natural é de dizer mal dos outros, ou fazer piadas, seja dos nossos amigos/ conhecidos ou estranhos. Julgar pela aparência ou descrever a pessoa pelo seu atributo menos atraente…o gordo, o magro, o alto, o baixo, parece que as pessoas não têm nome, pensem que se calhar as pessoas até são felizes e por muito que seja contra os nossos critério cada um sabe de si e gostos não se discutem 🙂

se quiserem ser críticos dos outros, que sejam construtivos, não destruam a auto-estima de ninguém. Ofereçam ajuda caso a pessoa precise e não precisa de ser público, podem faze-lo em privado, por mensagem. Lembrem-se que há determinados comentários que mais parecem alfinetes a espetar. O excesso de sinceridade pode afectar muito uma pessoa.

Beijinhos enormes e sejam felizes e mais humanos

Sofia