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Shiuuu…Só Faço Isto Porque te Amo e tu me Provocas

Eles eram felizes e tinha tudo para dar certo.

Um dia ele sentiu ciumes dela e pediu-lhe para trocar de roupa. Disse-lhe que estava demasiado provocante para ir à rua.

Mesmo contrariada ela obedeceu sentido a insegurança dele como uma prova de amor. Estranhou tal pedido, pois nunca o havia feito antes, mas não lhe fez perguntas.

Dias depois, de forma mais agressiva e impaciente ele voltou a dizer-lhe para mudar de roupa, mas desta vez ele não pediu, ele ordenou.

Em tom de ameaça proibi-a de se vestir como costumava. Libertou um ódio que ela desconhecia existir dentro dele. Perguntou-lhe que homens ela via e se gostava de os provocar. Se eles se metiam com ela e se ela dava conversa. O tom foi piorando e as perguntas eram pesadas e injustas. Apesar das respostas sinceras, ele provocava-a com a contradições. Não havia nada que ela dissesse que ele via coisa de forma contrária.

Foram para a cama e fizeram amor, mas ela não queria, estava baralhada e magoada, mas ele disse-lhe que era uma prova de amor. “Preocupo-me porque te amo e não te quero perder”.

Na manhã seguinte ele pediu para ver o seu telefone e ler as mensagens, ela deu-lhe. Desconhecia aquela pessoa “quem era aquele homem”. Foi trabalhar triste, assustada e com medo. Naquele dia passou-o sozinha apesar dos convites dos colegas para tomar café, almoçarem. Não queria estar com ninguém porque os recentes episódios não lhe saiam da cabeça.

Seu marido ligou-lhe milhares de vezes durante aquele dia e envio outras mil mensagens. Disse-lhe para ela ir para casa depois do trabalho. Sinceramente ela nem tinha forças nem vontade para ir ao ginásio.

Foi assustada e sem saber para o que ia. Ele mal lhe falou e era agressivo no olhar e nas respostas.

O silencio era horrível naquela casa, mas mesmo assim ela tentava ser carinhosa com ele e perguntava-se “O que será que fiz de errado para ele estar assim?”

No dia seguinte durante o jantar ela recebeu uma mensagem de uma amiga a perguntar se queria ir jantar com ela.  Ele arrancou-lhe o telefone da mão e respondeu por ela “Não posso”. Ela estava incrédula e perguntou-lhe “porque fizeste isso?” ao que ele respondeu “não quero te voltes a dar com essa mulher, é uma péssima influência para ti. Deve ser por causa dela que te andas a fazer a homens a pareces uma puta pela forma que te vestes!”

A discussão começou, entre berros, ameaças, mentiras, contradições, pedidos de desculpas.

Ela tentava justificar-se, explicar-lhe, mostrar-lhe a verdade, mas ele estava cego, obcecado. Ela chorava e implorava-lhe para parar, mas ele estava possuído. Entre choros descontrolados, ela ajoelhou-se, agarrou-lhe na perna e disse “eu só te amo a ti” e ele levantou a mão com toda a força e deu-lhe uma estalada na cara “Cala-te, se me amasses não me farias sentir assim, não me humilhavas, nem me enganavas”. Ela ficou estendida com as marcas dos seus dedos tão perdida e sem chão.

Chorou até de manhã e acordou com a cara tão pisada como o seu ego. Não foi trabalhar nesse dia, nem nos que se seguiram. Alias nem saiu de casa. Sua rotina passou a ser chorar, ter medo, isolar-se e tentar perceber o que se passava na sua vida e que homem era aquele.

A relação era vivida nos extremos entre o odeio-te e o te amo como nunca amei ninguém. Entre as noites de amor depois de múltiplos safanões, murros e estaladas. Ela já não sabia quem era, o que sentia, o que era verdade ou um pesadelo. Culpava-se por tudo e pedia desculpa constantemente por coisas que nem tinham acontecido.

Queria fugir, mas para onde? Estava sem trabalhar e nem tinha dinheiro para tal. Tinha vergonha de contar e ninguém acreditar, ou saberia lá ela o que contar, até porque ele lhe batia porque ela o provocava, apenas pelo simples facto de estar viva, ali, com ele.

Pensou mil vezes ir à policia mas contar o quê? e depois voltava para casa, para ele com uma denuncia feita, uma ameaça, um processo aberto e uma humilhação pública.

Ele continuava a dizer que a amava e fazia tudo por amor e que ele queria mudar e queria acreditar que ele iria mudar…perguntava-se baixinha, escondida na casa-de-banho para ele não a encontrar “Ele vai mudar não vai?!”

Mas ela mudou. Para ela, para a vida, para da família, para os amigos. Já não era a mesma pessoa, já não sorria e o brilho dos olhos se tinham transformado em nódoas negras, em berros, em desespero, em medo constante e uma ansiedade angustiante.

Ela quis acreditar que tudo podia ser diferente, que tudo iria voltar a ser como dantes. Mas afinal quando começou tudo isto?! Quem eram eles? o que tinha sido sonho ou realidade?

Infelizmente esta é a realidade de milhares de mulheres que um dia apaixonadas e ao engano, começaram uma vida de inferno junto do homem que escolheram ser felizes para sempre.

Se estiverem numa relação assim, saiam, fujam peçam ajuda, sejam inteligentes na forma como lidam com a situação e protejam-se. O problema é que com a vulnerabilidade e baixa auto-estima a vitima não consegue pensar nem ser manipuladora da situação, apenas e vitima. O desconhecido, o medo de viver sem esta pessoa é tão grande, que nem conseguem ver a luz ao fundo do túnel. Estão completamente presas na teia, até ao fim, até que a morte muitas vezes os separe.

Beijinhos e muita força

Sofia

PS. Esta história não é minha. Apesar de ter vivido relações doentes e desequilibradas no meu passado, ficaram-se apenas pela dor das palavras, pelas ameaças, pelo medo constante, pela inseguranças, pelo desespero, pânico e tentas mais coisas.

Apenas 1 pessoa foi fisicamente violenta comigo e foi apenas 1 vez. Uma história que um dia talvez conte. Mas hoje conto milhares de histórias que se podem estar a passar neste momento com a vossa vizinha da frente, com a colega de secretária, amiga intima, filha etc. Estejam atentos para apoiar quem precisa e atenção aos conselhos, ao pensarem que estão a ajudar, podem estar colocar a vitima numa situação muito pior. Até porque a justiça não consegue actuar facilmente nestes casos, sem provas, sem testemunhas…a vitima volta para casa com o agressor, até quem sabe para ter o seu ultimo dia de vida.

Woman being kidnapped and abused
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