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Os idosos e o Continente

Custa-me muita fazer isto que  vou fazer agora, mas custou-me mais ainda, hoje assistir a uma cena lamentável numa grande superfície com uma senhora de idade/ casal de idade.

Para mim ser blogger , ou ser considerada uma opinion maker não é andar a dizer quem anda bem ou mal vestido, ou deitar a baixo outras pessoas, mas sim usar a minha “voz” para melhorar o sistema e a sociedade. Considero-me uma pessoa com bons e valiosos valores e sinto uma necessidade enorme em viver numa sociedade em que volte a existir respeito, solidariedade, carinho, orgulho, persistência, educação, etc. pelo próximo.

Hoje fui fazer compras ao Continente do Oeiras Parque. Ao deslocar-me para as caixas reparei num novo sistema de pagamento, versão Primark. Uma fila única e quando chega a nossa vez somos chamados para um número de uma caixa. Até aqui tudo perfeito e justo, só teria corrido melhor se houvessem caixas abertas, caso contrário 2 caixas não suportam 1 supermercado inteiro a querer pagar às 14h00.

Mas felizmente uma Cliente decidiu reclamar e o óbvio foi feito, novas caixas abriram e a longa fila foi bastante rápida a ser atendida.

Chegou a minha vez e desloquei-me para a caixa que me chamara, que correspondia mesmo ao final da fila de espera. Sou uma mulher super atenta a tudo o que se passa à minha volta e tenho um bocadinho a mania de me meter onde não sou chamada, principalmente se for para ajudar o próximo.

Assim foi, uma senhora de muita idade, com dificuldade de locomoção pediu à ultima senhora da fila, se lhe podia passar à frente. E ela deixou, mas perguntou-lhe porquê não vai para a caixa dos prioritários? Assim não tem que pedir a toda a gente para passar na frente e é atendida de imediato. Ao mesmo tempo passava um funcionário novinho e eu disse-lhe “por favor pode levar esta senhora até à caixa dos prioritários?! e o rapaz começou a explicar à senhora, que mal ouvia, o número da caixa e onde ficava, bla, bla. Eu insistia…”mas não a pode levar?”

O rapaz sem paciência ou jeito pediu à chefe para o ajudar. A chefe explicou-nos (sem olhar nunca para mim, nem me responder às minhas questões) que a senhora não tinha perfil para “prioritário”, era necessário estar grávida, que não estava; ter uma criança ao colo, que não tinha; ou ter alguma deficiência. Eu expliquei que a senhora andava com dificuldade e se era necessário um atestado médico para entender que era prioritário?! que era ridículo estava nova avaliação de prioritário?!

Quando se viu uma pessoa de idade não ter prioridade?! Os idosos também deixam de ter esse privilégio nos transportes públicos? Na vida, no respeito que devemos ter por eles?! Irrita-me solenemente este abandono que a sociedade faz pelas pessoas mais velhas, é de uma ingratidão absoluta. Esquecemos de onde vimos. É uma quebra com o passado e quem plantou a semente, quem trabalho pelo nosso conforto. Parece um género de castigo…”agora vais sofrer sozinho por todos os erros que cometeste!!”. Queres ajuda? safa-te, faz-te à vida!!”.

Sempre me ensinaram a ter respeito pelos mais velhos, os nossos avós, pais, amigos, vizinhos, cidadãos. Em inúmeras sociedades os mais velhos são vistos como Mestres, Curandeiros, Conselheiros, Deuses, Reis!! Noutras tentam ser incluídos em trabalho comunitário, em funções mais leves. Só aqui em Portugal, há um abandono completo por essa faixa etária. É triste, muito triste.

Com esta cena toda, até me apeteceu chorar. A senhora era tão doce e como ela e o seu marido (que estava junto, mas de uma forma muito silenciosa, como se fosse uma pessoa ausente), outros devem enfrentar diariamente inúmeras dificuldades.

No meio desta confusão, eu e o senhor da caixa ao lado oferecemos para que nos passasse à frente, sem ter que andar a pedir a todas as pessoas da fila para o fazerem, já que o Continente não consegue distinguir quais dos seus Clientes têm prioridade.

Fartei-me de fazer perguntas à dita chefe que nunca olhou para mim, ou respondeu-me ao que fosse. Ignorou-me por completo o que me deixou mais louca ainda.

Tirei uma foto ao casal de costas, de forma a que não fossem reconhecidos, mas queria que vocês vissem bem que eu não estava a exagerar. Lamento muito te-lo feito e sabem que não tenho por habito andar a publicar fotos de pessoas sem lhes pedir autorização, mas neste caso seria impossível explicar-lhes o uso da foto e na realidade é na tentativa de melhorar um sistema que está

Deixo-vos aqui um texto para pensarem e até reverem as vossas acções em relação aos mais velhos!

Beijinhos

Sofia