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Este País Não tem Paciência para Velhos

Sinto-me triste quando apercebo-me que somos um pais de pessoas idosas e que ninguém tem paciência para eles

Estava na Worten e foi notório a falta de paciência da equipa perante um casal mais velho que tinha acabado de gastar 400 € das suas poupanças. O sistema estava a dar problemas e a senhora comentou para mim, timidamente, encostada a umas caixas “devia ter aceite a cadeira”. De imediato comentei com a funcionária “Onde se pode ir buscar uma cadeira para esta senhora sentar-se?” Eu e outra senhora olhávamos ao redor para tentar ver uma solução para a senhora sentar-se.

“Já lhe tínhamos oferecido a cadeira ela é que não quis!” disse a funcionária com voz de rebiteza.

A outra funcionária quando viu a cadeira a chegar disso rigorosamente o mesmo com uma voz de falta de paciência. O casal sem grande força, nem teve coragem de dizer nada. Até porque as pessoas mais velhas sentem que estão a mais, todos os dias têm a prova que ninguém tem paciência para eles, a não ser os seus e mesmo assim às vezes nem esses.

Eu disse “se calhar ela não sabia que iria demorar tanto, o sistema não está a dar problemas?”. Depois os senhores assinaram uns papeis e foram-se embora sem grandes despedidas da parte da equipa. Já estavam despachados era o que parecia. O que me custou mais foi a simpatia e prontidão que me atenderam a mim a seguir, que nem sabia o que queria e que sai da loja com as mãos a abanar.

Somos um País que não gosta dos velhos, que os abandona literalmente. Mas pensem eles um dia foram como nós. Tiveram uma vida agitada, empregos, sonhos, desejos, força, mobilidade, famílias, eventos, actividades. E as coisas mudam e o que me assusta é que eu vou ser assim e não quero sentir-me a mais, não quero pensar que irei ser um fardo para alguém e para a sociedade porque peço uma cadeira para me sentar, ou porque demoro mais tempo a atravessar a passadeira e que irei falar mais arrastado, isto se conseguir ser independente.

Respeitem aqueles que foram a nossa origem, os nossos antecessores que nos ajudaram a criar a crescer e a ter melhores condições. Em todas as sociedades evoluídas os mais velhos são vistos como anciões. Guardiões do conhecimento. Há oportunidades para eles, terem partimes, criarem negócios para se sentirem úteis e menos sozinhos. Os nossos vivem sozinhos nos jardins, ou em centros comerciais sentados na zona da restauração, ou nos centros de saúde à espera de serem atendidos, com reformar miseráveis e tristes pois o Mundo esqueceu-se deles e virou-lhes as costas.

Pensem 2 vezes antes de vos faltar a paciência para alguém mais velho. Imaginem o que seria alguém ser bruto com os vossos avós ou eles sentirem que ninguém gosta deles e que são um fardo para a sociedade?!

Até porque eles não são “velhos” por opção, infelizmente vamos passar todos por isso.

Beijinhos enormes, sejam felizes e mais humanos

Sofia

PS. Não gosto de me referir a pessoas mais velhas como “velhos”, foi só para dar alguma força ao texto. como diz o ditado “velhos são os trapos”