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As Boas e as Más Notícias

Há uns 3 meses que decidi naturalmente ser voluntária no canil da Amiama.

Não foi uma decisão muito complexa de ter, apenas senti um género de um chamamento, uma luz que me levou para lá ou uma vozinha que me ia chamando baixinho, “anda cá”, “anda cá”.

E lá fui e lá tenho ido quase todos os fins-de-semana. Comigo tenho levado alguns amigos para ajudar. Uns ficam e já nem precisam de mim para ir para lá ajudar, outros esperam sempre as minhas “boleias” para lá ir.

Mas quase sempre vou sozinha, porque dá-me liberdade de ir à hora e ao dia que me apetece, mas porque sabe me bem estar lá sozinha com os meus meninos. Ser voluntário, pelo menos para mim é ajudar os outros, mas os outros nos ajudarem também a nós. E tem sido das experiências mais incríveis e enriquecedoras esta que tenho tido com os meninos (cães) da Amiama.

Embora duro, para quem adora cães, vê-los ali, em que o tempo passa e ninguém os quer e vão ficando, crescendo, envelhecendo sozinhos às custas das ajudas de estranhos e de conhecidos e como restos que já ninguém quer ficam a ver os outros passarem, uns a serem deixados como eles e outros a seres escolhidos porque são mais pequeninos, mais bonitos e têm a sorte de serem de raça.

E há com cada história que vocês não têm ideia. Na realidade e resumindo todos foram deixados por um humano que não teve coração nem coragem de manter a responsabilidade e compromisso que teve com o seu animal. Foram abandonados e deixádos à sorte….ou na realidade ao azar.

Mas ao menos têm uma caminha fofa, um tecto, comida, cuidados e festas. Eu tento dar-lhes amor e carinho. Gosto que sintam a sensação de ter alguém que gosta deles e que por uns momentos sintam o que é ter alguém, mesmo que por uns minutos. E garanto-vos que na Amiama eles são muito bem tratados e há muita gente boa e pronta para ajudar. Como a Catarina que todos os Domingos limpa o canil a partir das 8 da manhã.

Acho que todos nós em algum momento já nos sentimos uns cães abandonados e já vagueamos pelas incertezas, já mendigámos afecto, já nos revoltámos com o mundo e só desejávamos morder a quem se aproximasse, mesmo aqueles que nos querem bem. Eu senti-me tantas vezes como eles e por isso sei o que é estar sozinho, achar que nunca iremos ter quem goste de nós e é dificil confiar em pessoas.

Ninguém disse que era fácil lidar com estes sentimentos e é difícil controlar o afecto que vai crescendo por alguns dos meninos ali esquecidos. Tem sido duro saber que alguns partem porque chegou a sua hora e que estavam sozinhos e que o colo que tiveram nunca foi suficiente ou o sempre o mesmo. Como o Rick que morreu uns momentos depois de eu o ter passeado e limpo o seu espaço (não gosto de chamar de jaula) e que quando lhe disse até logo seria adeus para sempre. Ou do meu Koala que não resistiu a mais um ataque epiléptico e ele que era tão mas tão amoroso e merecia tanto ter tido alguém que lhe amparasse e vou ter tantas saudades de o ver paradinho como um boneco a olhar para mim e a derreter o meu coração com os seus olhinhos de alma pura.

Nesta 6ª-feira vão buscar o meu patanista, o que são excelentes noticias ele ter sido adoptado….mas era o meu menino, o meu patanisca que me divertia tanto e que na realidade eu adoraria ter levado para casa. Vou ter imensas saudades dele e vai custar-me não saber se está bem. Ou chegar ao canil e não ver a sua animação, as suas corridas e ter os seus beijinhos. Mas é uma gestão que tenho que aprender a ter que ter e saber desapegar-me emocionalmente e continuar a minha missão.

Aprendi nesta vida que por muito dura que seja a “Vida Continua” e haverá sempre momentos tristes em que temos que aprender a libertar e a deixar ir e viver com as memórias de tantos outros que foram fantásticos.

Como isto tudo não quero ser nem sou melhor que ninguém, nem faço mais nem menos, mas espero mesmo que o pouco tempo que tenho disponibilizado para ir à Amiama tenha feito e que faça alguma diferença na vida destes cãezinhos que merecem ter uma família, um lar, um colo, várias festa e carinhos, biscoitos, passeios, viagens, um sofá e milhões de momentos de felicidades juntos dos seus donos.

Por favor eu imploro que não abandonem os vossos animais e se tiverem oportunidade, disponibilidade e responsabilidade que adoptem um cão.

Beijinhos

Sofia